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Textos de apoio

Fernando Pessoa / Cesário Verde

Fernando Pessoa - Ortónimo

Para compreender a poesia ortónima: Linhas temáticas

- evocação da infância, idade de ouro

- refúgio no sonho, na música e na noite

- ocultismo (correspondência entre o visível e o invisível)

- criação dos heterónimos ("Sê plural como o Universo")

Arte Poética de Fernando Pessoa Ortónimo: estilo poético

adaptado do site

Alberto Caeiro

Características temáticas

- apagamento do sujeito

- atitude antilírica

- atenção à "eterna novidade do mundo"

- integração e comunhão com a Natureza

- poeta da natureza

- poeta deambulatório

- poeta das sensações tais como são

- poeta do olhar

- predomínio das sensações visuais e das auditivas

- o "Argonauta das sensações verdadeiras"

- recusa do pensamento ( Pensar é estar doente dos olhos)

- recusa do mistério

- recusa do misticismo

- tudo é Deus as coisas são divinas

Características estilísticas

Ricardo Reís

Características temáticas

- busca da felicidade relativa

- moderação nos prazeres

- fuga à dor

- ataraxia ( tranquilidade capaz de evitar a perturbação)

- aceitação das leis do destino

- indiferença face às paixões e à dor

- abdicação de lutar

- autodisciplina

- carpe diem: vive o momento

- aurea mediocritas: a felicidade possível no sossego do campo (proximidade de Caeiro)

- crença nos deuses

- crença na civilização da Grécia

- sente-se um "estrangeiro" fora da sua Pátria, a Grécia.

 

- Poesia construída com base em ideias elevadas

- Odes

Características estilísticas

Álvaro de Campos

Característica temáticas

- abulia, tédio de viver

- procura de sensações novas

- busca da evasão

- elogio da civilização industrial e da técnica

ruptura com o subjectivismos da lírica tradicional

- atitude escandalosa: transgressãõ da moral estabelecida

- vivência em excesso das sensações ( Sentir tudo de todas as maneiras"® afastamento de Caeiro)

- sadismo e masoquismo

- cantor lúcido do mundo moderno

- dissolução do "eu"

- a dor de pensar

- conflito entre a realidade e o poeta

- cansaço, tédio, abulia

- angústia existencial

- solidão

- a nostalgia da infância irremediavelmente perdida

Características estilísticas 

adaptado do site


     Cesário Verde

                               Pinto quadros por letras, por sinais,

                                  Tão luminosas como as do Levante

  A vida...

A vida de Cesário Verde foi, desde cedo, marcada pelo contacto com o balcão

 ( loja de ferragens do pai), a terra, ( a família dedicava-se também à agricultura) a cidade e o campo.

Cesário Verde chegou a matricular-se no Curso Superior de Letras ( 1873) mas não o seguiu. Essa matrícula permitiu-lhe relacionar-se com a “ mocidade letrada da época”, de que se destacavam nomes como Silva Pinto.

A produção literária de Cesário Verde é divulgada em jornais e revistas de Lisboa, Porto e Coimbra, aproximando-se este poeta dos melhores escritores do seu tempo.

A substituição gradual do pai na loja de ferragens leva-o a fazer o percurso entre a casa onde morava, na Rua do Salitre, e a loja, na Rua dos Fanqueiros, a pé. Este percurso diário permite-lhe observar a realidade citadina da capital – podia ver, activos, no local de trabalho, os calceteiros, as peixeiras, as hortaliceiras, os lojistas. O contacto com esta realidade observada permitiu-lhe recolher grande parte dos temas que encontramos na sua poesia. Tal como escrevia a Silva Pinto, “ A mim, o que me rodeia é o que me preocupa”. Cesário Verde mostra uma preocupação pela realidade que observa, revelando pequenos dramas da vida quotidiana, ou apenas a beleza da mesma. Os seus textos são verdadeiras “aguarelas” em que as palavras assumem mais força do que o pincel dum pintor.  

 Dicotomia cidade / campo            

                Esta dicotomia pode ser vista com “ produto” da vida de Cesário Verde uma vida ora citadina, em Lisboa, ora campestre, em Linda - a – Pastora, e é em torno desta dualidade que a sua poesia se vai organizar. Esta dualidade “ cidade / campo” reflecte ainda as transformações do tempo de Cesário Verde.

                O campo apresentado na poesia de Cesário Verde não tem o aspecto idílico, paradisíaco que teve para poetas anteriores. Para Cesário Verde, o campo é um espaço real, é onde se podem observar os camponeses na sua labuta diária – ali as alegrias manifestam-se face aos prazeres da vida, enquanto as tristezas surgem quando os acontecimentos não seguem um curso normal.

                Para Cesário Verde, o campo está associado à vida, à fertilidade, à vitalidade, ao rejuvenescimento, já que é visto como um local puro, saudável e fértil ( “Nós”). O campo também pode surgir, através da visão transfiguradora do poeta, a invadir simbolicamente a cidade ( “ Num bairro moderno”).

                Contrapondo-se ao campo, surge a cidade, um local donde fogem da febre e da cólera ( “ Nós”), onde há miséria constrangedora, sofrimento, poluição, cheiros nauseabundos. A cidade é, no poema “ Nós”, a capital maldita, devoradora de vidas.

                O espaço citadino “ empareda” o poeta, incomoda-o tal como o incomodam os pobres trabalhadores que na cidade procuram melhores condições de vida.

                O poema que melhor retrata o ambiente citadino é “ O Sentimento dum Ocidental”. Neste, a cidade é descrita em várias fases do dia ( final da tarde “Avé – Marias”...) servindo-se o poeta dum forte visualismo para captar os seres que pelas ruas circulam.

                O espaço citadino desperta em Cesário Verde uma consciência social. No poema “ Num bairro moderno” essa consciência é bem visível quando o sujeito poético apresenta, contrastando com o luxo e a riqueza das casas apalaçadas, a vendedeira “rota, pequenina, azafamada”. Aqui esta vítima da exploração citadina é uma nota da injustiça social.

                Segundo Helder Macedo, a cidade tem dupla significação em Cesário Verde: ao nível pessoal, a cidade significa a ausência, a impossibilidade ou perversão do amor; ao nível social, a cidade significa opressão.

                               A Mulher

                Deambulando pelo campo e pela cidade, o poeta depara com dois tipos de mulher, que curiosamente estão articulados com os locais em que se movimentam.

                Assim, tal como a cidade se associa à fatalidade, à morte, à destruição, à falsidade, também a mulher citadina é apresentada como frígida, frívola, calculista, madura, destrutiva, dominadora, sem sentimentos.

                O erotismo da mulher citadina é expresso em imagens antitéticas que permitem opô-lo à mulher campesina, capaz de fazer despoletar um amor puro e desconfinado. O erotismo da mulher fatal é humilhante, conseguindo reduzir o amante à condição de presa fácil, originando uma reacção sadomasoquista entre a mulher que personifica o artificialismo da cidade, e a sua vítima.

                Em contraste com esta mulher predadora, surge um tipo feminino, por exemplo em “ A Débil”, que é o oposto complementar das esplêndidas, frígidas, aristocráticas, presentes em poemas como “Deslumbramentos” e “ Vaidosa”. Essa mulher frágil, terna, ingénua, despretensiosa, mesmo que enquadrada na cidade, como é o caso da que é retratada em “ A Débil”, desperta no poeta o desejo de protegê-la e de estimá-la, mas não o de se prostrar a seus pés, porque esta não se compraz em devorar a sua presa; os seus actos são ingénuos e o seu despretensiosismo só poderá relacionar-se com a mulher do campo, capaz de ofertar o amor e a vida inerentes aos espaços rurais.

                Pelo que foi dito, parece que duas dicotomias são perceptíveis em Cesário: a mulher fatal / mulher angélica ( associadas à cidade e ao campo, respectivamente) e a estas a morte / vida, dualidades que parecem percorrer toda a obra de Cesário e que segundo Helder Macedo, são a raiz estruturante de toda a obra, e que, para Margarida Mendes, pode ser vista “ como uma série de dualidades imbricadas umas nas outras e derivadas da fundamental oposição cidade / campo: do lado da cidade, a humilhação sexual, a noite, o confinamento, a morte, a doença, o presente; do lado do campo, a libertação amorosa, a saúde, a vida, o passado infantil.”

 A questão social

                A crítica à sociedade dos finais do século XIX é também uma das temáticas presentes na poesia de Cesário Verde.

                Os quadros citadinos que nos apresenta, “ pintados” com a sua técnica realista, dão-nos uma visão da transformações sociais que se dão na cidade, nomeadamente a nível da sociedade burguesa. As alterações sociais, económicas e culturais eram observadas nas deambulações que o poeta fazia pelas ruas da cidade. No poema “ Num bairro” o desdém com que o criado trata a pobre vendedeira mostra bem a injustiça social que existe. Cesário Verde recusa as hierarquias sociais ( no poema referido ajuda a vendedeira com a giga) e coloca-se ao lado dos desfavorecidos, aqueles que são vítimas da pressão social da cidade; denuncia mesmo as circunstâncias sociais que vê ( a pobre engomadeira tuberculosa que trabalha até tarde “ Contrariedades” )  

 Linguagem e estilo

                Em Cesário Verde, a poesia do quotidiano despoetiza o acto poético e por isso reflecte a impressão que o exterior deixa no interior do poeta, o que permite estabelecer uma relação estreita entre a sua poesia e a pintura impressionista ( nesta, o pintor pretende captar as impressões que as coisas lhe deixam.)

                A poesia de Cesário Verde é uma poesia do quotidiano e nela impera um estilo que traduz uma atitude impressionista e, através de um perspectiva pictórica, o poeta descreve e analisa a paisagem num apelo às sensações visuais.

                A descrição do real é, na poesia de Cesário Verde, marcada pela utilização de uma linguagem “ colorida”, assente na adjectivação expressiva, nas imagens e comparações originais, nas sinestesias abundantes, no uso expressivo do advérbio, nas metáforas e na ironia. Esta atitude tem por base a técnica realista que Cesário evidencia, deambulando pelas ruas da cidade para captar os aspectos vulgares do quotidiano.

                O rigor da forma aproxima Cesário Verde da Escola Parnasiana, já que é notória a sua predilecção pelas quadras e versos decassilábicos e alexandrinos.

Síntese de conhecimentos

                Ao falar da poesia de Cesário Verde, temos de referir dois pontos importantes:

Temática:

  • A imagética feminina;
  • Sentimento da humilhação ligado ao erotismo da “ mulher fatal”;
  • Binómio cidade / campo;
  • Poetização do real;
  • Questão social associada ao realismo e naturalismo;
  • Movimento deambulatório do poeta pelas ruas da cidade.

Linguagem / estilo

  • Estilo que traduz uma atitude impressionista num apelo às sensações visuais ( elementos de cor e luminosidade invadem os seus poemas);
  • Visão objectiva da realidade através da expressão do real;
  • Limpidez formal  na descrição dos aspectos do quotidiano;
  • Expressividade e simbolismo de certas palavras;
  • Uso do verso alexandrino e do decassilábico;
  • Uso do assíndeto, que resulta da técnica de justaposição de diversas percepções; Linguagem prosaica e coloquial com que descreve o real;
  • Grande carga adjectival a enfatizar a descrição do real;
  • Técnica descritiva assente nas imagens, nas sinestesias, nas hipálages, no diminutivo, no advérbio e na modalização verbal.

 

adaptado do site

Outro site a consultar